Sobre aprender a levar a vida menos a sério

Oi gente!

O post de hoje vai ser meio diferente do normal: quero bater um papo sincero com vocês sobre minha batalha com a ansiedade, algumas coisas que venho aprendendo e o motivo pelo qual eu parei de atualizar o blog com freqüencia ano passado.

Eu tenho a impressão que a maior parte das pessoas que me conhecem acreditam que eu seja uma pessoa calma e de bem com a vida. É o que eu tento ser, e sempre que me falam coisas do tipo “mas você, nervosa? Você é tão calma!” me parece que eu tenho sido bem-sucedida em criar uma imagem de alguém bem controlada e tranquila. E, ainda que eu tenha de fato muitos dias em que o que eu estou sentindo é condizente com essa imagem, tem muitos dias em que eu aparento estar ok mas internamente eu sinto que vou explodir.

A verdade é que eu sou muito ansiosa. Não digo isso da boca para fora, eu fiz um tempo de terapia no ano que foi um prato cheio para a minha ansiedade (eu estava, ao mesmo tempo, terminando o meu mestrado na USP, concorrendo a uma bolsa de doutorado para vir para a Inglaterra e terminando de organizar meu casamento!) e ficou claro que esse é um problema sério com o qual eu tenho que aprender a lidar. Quem é ansioso vai entender que nós somos máquinas de previsão de catástrofes: estamos sempre antecipando tudo o que pode dar errado, e o pior? Isso nos torna pessoas extremamente eficientes em organizar qualquer coisa, pois sempre estamos preparados para o que pode dar errado, então nosso cérebro entende que ser ansioso é bom. O problema é que sofremos com cada coisa que prevemos que não vai dar certo, e no final ficamos exaustos mesmo quando tudo corre bem.

O fato de eu ser perfeccionista também não ajuda. Eu não sei deixar as coisas para lá. Tudo tem que ser perfeito. “Se é para fazer, faça direito” parece ser o jeito que meu cérebro funciona. Junte a isso o medo constante das coisas darem errado e é fácil perceber como coisas simples podem se tornar um monstro e me deixar extremamente estressada, mesmo algo que em princípio era para me relaxar.

Algo como ter um blog.

Eu adoro escrever nesse blog e num segundo blog que eu tenho para me comunicar com familiares e amigos sobre a minha vida na Inglaterra. Eu sempre gostei de ler e de escrever. Eu já fiz vídeos para esse blog no passado e eu sei que “a onda” da vez é o YouTube, que as pessoas cada vez menos têm interesse em ler. Mas EU gosto de ler, e sinto que escrever é um modo de expressão muito mais natural para mim do que falar na frente de uma câmera. Além disso, eu adoro ensinar coisas novas para os outros e compartilhar dicas que eu tenha sobre assuntos que lhes interessam. Foi daí que surgiu esse blog, do meu amor por compartilhar através da escrita o que eu sei para deixar a vida dos outros mais bacana.

Mas aí veio o meu perfeccionismo e me fez querer fazer tudo perfeito. Ter um blog bonito, no qual existe um padrão de postagem, no qual as fotos são editadas sempre da mesma maneira, e o pior: no qual haja postagens novas com regularidade. Duas vezes por semana. Sempre. No começo foi bacana, pois eu comecei com essa agenda numa época em que estava desempregada, e a rotina do blog supria a minha necessidade de padrões. O blog foi crescendo graças à minha dedicação e isso era muito animador. Mas era difícil dar conta do blog e de todo o resto, e a ansidade e fez com que eu colocasse tanta pressão em mim mesma para cumprir a agenda de postagens que eu cheguei a ter uma crise no fim de 2015 por causa do blog.

Se vocês lembram bem, nesse ano eu fiz uma série de posts com tema natalino em dezembro. Eu comecei a fazer os posts já em outubro/novembro, para poder ter material suficiente para cobrir o tempo em que eu finalmente voltaria ao Brasil para passar as festas com a minha família, após ter ficado 8 meses sem vê-la. Mas não é novidade que o fim do ano é corrido, e no final de semana antes de eu ir ao Brasil eu tinha uma lista enorme de coisas para resolver antes de ficar 3 semanas fora da Inglaterra. Chegou um momento em que eu comecei a chorar por medo de não dar conta.

Aliás, a primeira vez em que eu chorei por medo de não dar conta do que eu tinha para fazer foi na 5ª série, quando eu tinha certeza (apesar de não ser verdade) de que eu não conseguiria estudar tudo o que precisava para a minha prova de ciências. 5ª série. E não faço ideia de quantas vezes mais eu chorei de desespero depois disso. O problema do ansioso é achar que, se ele não der conta de todas as coisas que ele tem para fazer (muitas das quais ELE MESMO se impôs), o mundo definitivamente vai acabar.

Mas é claro que não vai. E eu tenho a sorte de ter um marido que tem a paciência de mostrar para mim, de novo e de novo, que muitos dos meus problemas não são realmente problemas. Que o mundo vai continuar rodando se eu, por exemplo, não postar no blog o tutorial de maquiagem de ano novo que eu tinha pensado em postar naquele ano, mas não tive tempo de fazê-lo. E todos nós continuamos de fato vivendo, não foi?

Ano passado foi particularmente difícil, como já falei em outro post. Foram muitas provas que eu tive que fazer, e o segundo ano em que você mora no exterior parece ser mais complicado: ao invés de estar encantado com cada experiência que você tem pois tudo é novo, você passa a perceber as coisas negativas e sentir falta daquilo que você não tem no outro país, sejam pessoas, comidas ou a familiaridade com a cultura. O segundo ano de um doutorado também não é fácil, ainda mais quando o seu doutorado tem que levar 3 ou no máximo 4 anos. Você começa a questionar se a pesquisa está indo bem o suficiente, se vai dar para ter algum resultado útil no final, e tudo é muito nebuloso ainda.

Sinto que 2016 foi um ano terrível para o mundo em geral, e pessoalmente para mim foi um ano de muita pressão. Grande parte dela obviamente não sumiu magicamente com a virada do ano, mas acho que aos pouquinhos estou conseguindo caminhar em frente. Minha maior meta esse ano é focar em viver um dia de cada vez. A planejar o futuro mas não ficar obcecada por ele; a saber que fazendo minha parte cada dia aos poucos eu chegarei lá, e que se eu ficar hoje pensando no que tenho que fazer amanhã eu não farei o que tenho para hoje direito, seja trabalhar ou curtir momentos felizes.

Para poder aproveitar o hoje eu tenho que aprender a levar a vida menos a sério. A me cobrar menos por coisas que não são tão importantes assim, a deixar de querer fazer tudo E fazer tudo perfeitamente. E isso inclui escrever no blog: eu preciso que isso volte a ser algo que me dê prazer, e não mais uma cobrança que eu imponho a mim mesma e que me gera estresse. Eu passei meses sem postar nada por receio de voltar à paranóia de me cobrar a postar sempre. Mas agora acho que estou pronta para levar as coisas mais de boa e me divertir, e espero que vocês se divirtam comigo. :)

Então que comecemos 2017 nesse blog com um brinde a uma vida mais simples e relaxada. Que esse ano não só nos traga paz como nós possamos nos permitir a estar em paz.

Um beijo,

Nicole

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3 ideias sobre “Sobre aprender a levar a vida menos a sério

  1. taisxastre

    Acabei de programar um post hoje depois de 2 anos e 4 meses sem postar no blog e vim ver o seu blog e me deparei com este post – coincidentemente… Penso igual na questão de tentar aproveitar a vida, você sabe muito bem que sou bastante ansiosa também, mas aprendi aos poucos a desapegar de algumas coisas – principalmente se essa coisa não me faz bem. Eu estava com receio de voltar a postar no blog e me deparar com o meu último post sobre quando entrei na Mary Kay, coisa que deixei uns meses depois – isso me fazia lembrar de todas as coisas que já comecei e nunca consegui continuar, inclusive coisas atuais. A vida é curta demais pra gente ficar se preocupando se o mundo vai acabar ou não ao deixarmos de fazer qualquer coisa. O melhor é se preocupar com o que nos faz feliz e com as nossas necessidades (infelizmente heehhe, tipo contas :P ). Ansiedade é bom pra se organizar, mas também é bom pra deixar você morto de sono e preocupação. Vamos deixar isso pra lá e ser feliz <3
    Por enquanto, vou deixar só a ansiedade de te ver de novo esse ano, quando você voltar logo mais <3
    boa sorte no desapego! :*

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